Poesia Papangu por José Patrício Neto

24 de Janeiro

 

1- Esses dias me ocorreu aquela frase dum psicanalista: “Cuidado com o que você deseja, se você consegue, não tem mais desculpa.”

Descobri que é verdade.

 

2- Fui um dos primeiros, talvez o primeiro a escrever poesia em blogue nesta cidade (no tempo do blig). Nenhum mérito nisso. Hoje, temos blogues demais. Saudades do tempo que blogue era coisa de adolescente apaixonada. Bons tempos.

  

3- Da série: “eu queria ser um beatle”

 

 

 

                                           

                                                Sado

 

 

 

 

 

 

                

                                                                            

 



 Escrito por josé patrício neto às 12h30 [] [envie esta mensagem]


03 de Janeiro

Roxanne

 

Quando eu ainda era um moleque

pernambucano perambulando

pela chuva dos canaviais

não imaginaria

que sempre seria

um moleque

na chuva dos canaviais

 

Cresci e tardei a entender

que nunca se perde nada

que a vida não é mais complicada

nem menos complicada

que uma balada

do The Police

 

Roxanne não acenda

a luz vermelha

 

 



 Escrito por josé patrício neto às 12h24 [] [envie esta mensagem]


29 de Novembro

"Pour une fée en France"

De uma fada

não se escuta

a distância

 

Se Sininho

se insinua:

assonância

 

Se invertermos

a escala da

lembrança

 

Se o si lá

sol fá mi

ré dó

 

Dia(tônica)

esperança

 

 

 

 Jane (desenho animado?)



 Escrito por josé patrício neto às 12h30 [] [envie esta mensagem]


01 de Novembro

Quiet

 

                     pro  G. Rosa

 

Que o silêncio

veio vindo

mas a meio se esbarrou

entre meninos e demos

 

Feliz de seu bom descanso,

                             escorregoso,

tornou a  andar.

 

Se alguém quisesse teimar

que arriscasse  derrubá-lo.

 

Tinha querido de mim:

o ódio,

                   montanha russa,

despenhar a toda velocidade

sem exuberâncias de fé.

 

 

 

 

 



 Escrito por josé patrício neto às 17h01 [] [envie esta mensagem]


09 de Junho

Confissão de Fred Astaire

 

 

 

nunca gostei

da cacofonia explícita

nas pernas de Cyd Charisse

num exaspero

de espasmos e esperma

do jeito doido

de quem sempre

se atrapalha

desse eu gostava

 

 

se ela tivesse alguns

centímetros  a menos,

uns sentimentos a mais...

 

não adianta,

no amor e na guerra

o verbo se

não existe

 



 Escrito por josé patrício neto às 21h33 [] [envie esta mensagem]


06 de Junho

Crítica

 

Esdrúxulo

 

lançador de modas (e moedas?)

 

pago pra ver        

                                       minha

 

descontinuidade

sintagmática 

 

                                       meu

poema

 

esquizofrênico

 



 Escrito por josé patrício neto às 11h12 [] [envie esta mensagem]


02 de Abril



 Escrito por josé patrício neto às 09h56 [] [envie esta mensagem]


23 de Março



 Escrito por josé patrício neto às 20h42 [] [envie esta mensagem]


17 de Março

um poema de REUBEN DA CUNHA, meu desafeto e parceiro na poesia: encontramo-nos como quem tropeça distraído (na imaginária linha do equador?) e bate cabeça com cabeça. o cara é promissor.





subir na
mesa
e chutar o q vier

pisar no linho

suar

no vinho

dobrar a
língua só se for
com outra língua na
língua

presos na garganta
rouca o blues
e o pigarro,
nem pense q vamos durar, nós
anjos sem lustre
onde os ilustres brindam
cúmplices e herdeiros

nem pense q vamos
ficar: hoje
o escuro é um exílio
um véu
e a primeira estrela
banida ecoa
o tumulto do corpo
na guerra ou na festa
a depender dos sorrisos : olha
lá fora os postes nunca apagam
e uma chuva de marfim
navalha nossas manhãs




 Escrito por josé patrício neto às 09h17 [] [envie esta mensagem]


12 de Março

                             

Falso Ideograma Italiano                             

                               

                   

Está na cara- a verdade avisa

o riso triste de Yoko Ono

é a reencarnação da Mona Lisa

 

                            ( Luís Augusto Cassas )



 Escrito por josé patrício neto às 15h11 [] [envie esta mensagem]


09 de Março

 

 Escrito por josé patrício neto às 11h18 [] [envie esta mensagem]


08 de Março

    

 

TOADA P/ OSWALD

 

 

A tristeza é a fossa

dos nove

 

Inacabado boi

é um bode

 

Bumba-quem-pode

 

bamba

        meu

             bode



 Escrito por josé patrício neto às 15h47 [] [envie esta mensagem]


05 de Março

     

 

Tarde é presepada

do tempo

 

alento de perdida

manhã

                       clara

 

ejaculação precoce

noite

               sem calma

 

 



 Escrito por josé patrício neto às 21h05 [] [envie esta mensagem]


02 de Março

 

Tenho diminuído a presença nesse Papangu. As visitas também minguam (às vezes menos de 50 por dia). Talvez conseqüência.

 

Apresento, na mensagem seguinte, um poema antigo, juvenil. Foge aquela máxima de que poesia é síntese (conversava outro dia com o Quixote sobre isso). Isso sabemos (ou devíamos saber). Quintana, que não era lá tão afeito a discutir poesia, já dizia.

 

Mas, poesia também é ritmo. Perdoem o excesso de pronomes. Perdoem o meu jeito ferino (sotaque intra-uterino). Perdão a todos e abraço no Wally Salomão que, antes de partir, preconizou:

 

Hoje só quero ritmo.

Ritmo no falado e no escrito.

Ritmo, veio-central da mina.

Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente.

Ritmo na espiral da fala e do poema.

 



 Escrito por josé patrício neto às 20h33 [] [envie esta mensagem]



O tal poema

INFÂNCIA

  

Quando criança

o livro me disse:  

eu era setenta por cento água

 

(setenta por cento água,

setenta por cento só água,

setenta por cento de água)

 

Aquilo me parecia

uma mentira

mal lavada

          deslavada

 

Mas, ainda assim

era a ciência,

         paciência, Galileu !

 

Eu olhava e via pele

sentia osso

sabia carne...

Sim! havia sangue,

mas o sangue era pouco

e eu sabia: evaporava

todas as vezes que

eu tinha raiva.



 Escrito por josé patrício neto às 20h00 [] [envie esta mensagem]


25 de Fevereiro

    

Super homem

     (c/ Celso Borges)

 

 

Em todos esses anos

tenho sido

minha própria criptonita

 

 



 Escrito por josé patrício neto às 21h21 [] [envie esta mensagem]


17 de Fevereiro

  

Nos últimos dias foi praticamente impossível atualizar esse espaço, muita correria. De bom, o contato (frutífero) com um trio de Curitiba e a conversa relâmpago com a turma jovem da poesia local. Segue um poema meio clichê. Reflete muita coisa.

 

 

 

Metamorfose

 

 

Naquela manhã medonha

Gregor Samsa acordou

na casca de um barbeiro

 

foi fenecer no chuveiro

não alcançou a torneira

 

melhor assim

que bobagem

 

eu já morri

 

só não parei de me mexer

 



 Escrito por josé patrício neto às 20h51 [] [envie esta mensagem]


11 de Fevereiro

        

De volta. Publico dois escritos que poderiam ser um. Os escrevi em épocas diferentes,  mas relendo fica evidente a similaridade: "essa” + substantivo + aposto (ou quase isso) + verbo de ligação + predicativo. Por pouco não os fundi em único poema, ainda bem. Apesar da estrutura semelhante guardam abissal distância ontológica. "Catatau" é de uma leveza intransponível pela tristeza evidente, uma “leveza bruta”, Waylon Smithersiana. Leveza catatau,  do urso e do Lema (isso não é uma comparação).

 

Já este outro poema, sem nome, é melancólico sem cura. Bem que se poderia chamar Raza Inca, um conjunto que sempre vinha pra São Luís tocar na praça do Panteon. O grupo tocava, com um quê de constrangimento, qualquer coisa que chamasse a atenção dos passantes (Chitãozinho e Xororó etc e tal). Enquanto isso seus partners tentavam vender fitas cassetes e instrumentos peruanos. Lembro que aos 16 anos comprei uma dessas fitinhas, com músicas dos Beatles, menos mal. Aquela flauta a executar Norwegian Wood até era bonitinha, lembrava Beto Guedes.

 

Obrigado ao Vinícius de Lima que colocou um poema meu no seu excelente Estúdio Realidade , ao Reuben da Cunha que escreveu uma análise generosa da minha escrita na Máquina e ao agitador cultural Luiz Alberto Machado, se acabando no frevo, que recomendou o Poesia Papangu em recente edição do seu informativo Nascente.  

 

 

            



 Escrito por josé patrício neto às 16h00 [] [envie esta mensagem]


09 de Fevereiro

 

 

Essa angústia

(da impossibilidade de tudo)

é constrangimento e sopro duro

flauta inca de praça

sintaxe mal amarrada

 

 

Picasso Jovem Garota

 



 Escrito por josé patrício neto às 12h53 [] [envie esta mensagem]



 

 

catatau

 

 

essa alegria

              (incontida)

é tão rara

e ainda

me chega

de madrugada

quando todos

tão dormindo

 

 

 

Waylon Smithers



 Escrito por josé patrício neto às 12h06 [] [envie esta mensagem]


01 de Fevereiro

 

"No fundo, isso tudo é apenas o que o meu olho inventa"

(Vitor Ramil)

 

 



 Escrito por josé patrício neto às 17h27 [] [envie esta mensagem]



 

Gosto muito desse poema, andava meio esquecido lá no fim da página. A disposição original está alterada, por conta da limitação de caracteres. O título original era enorme, esse: mais plausível. Foi terceiro colocado no último Festival Maranhense de Poesia. O Reuben ficou em segundo.

 

 

 

 

 

Brasilit

 

  

Não sou daqueles que choram

quando finda o filme

- nem no meio dele-

(ao menos me sinto assim agora)

 

Meu choro é por pisão na

cabeça do dedão

ou de raiva

ou de inveja

ou por qualquer sentimento

da caixinha de Pandora

 

 

Mas, nessa tarde quente

pra desgraça, nada sentimental,

em São Luís,

senti uma inconsolável saudade

das caixas d’água Brasilit

         (amianto manchado

                lodo e tristeza)

 

falange ou metatarso

amputados dessa

ossada de pedra

 

 



 Escrito por josé patrício neto às 16h55 [] [envie esta mensagem]


31 de Janeiro

Pro Décio e pro Andy.

 

 

 

 

POP ART

 

 

 

 

ÁGUA GASEIFICADA

 

AÇÚCAR

 

EXTRATO DE NOZ DE COLA

 

CAFEÍNA

 

CORANTE CARAMELO

 

ACIDULANTE

 

AROMA NATURAL

 

 

 

 

BEBA COCA COLA

 

CATE O CACO


COLA

 

 

 

 



 Escrito por josé patrício neto às 14h59 [] [envie esta mensagem]



   

Ladainha (que se faz beijo na têmpora)

 

frontispícios catacreses hodiernas

palavras escondidas nas cavernas

deixai o dicionário do buarque

aurélio

e beijai os pés de carolina

libério

 



 Escrito por josé patrício neto às 14h56 [] [envie esta mensagem]


28 de Janeiro

    AMPULHETA

 

 

    sobretudo o tempo

  tecido por

 entre os

 dedos

 salta

 me

u

l

t

r

a

p

a

ç

(s

s)

a

 

 

Senhor de

todos os

medos

 

 

 

 

 



 Escrito por josé patrício neto às 13h57 [] [envie esta mensagem]


25 de Janeiro

 

     

Tempos atrás conversava com o Frederico Luiz, grande amigo/poeta/músico, que me saiu com essa:

“-Penso que, em certo aspecto, devíamos retornar ao parnaso”. O poeta (FL) não é desses tipos anacrônicos (até admira Chacal).  É um cara preocupado com essa difusão de aventureiros que, sem pesquisa de linguagem, mínimo de senso estético, se autoproclamam poetas.

 

Não quero ser mais um a dividir os pobres poetas entre Alexei/Ademir, Nauro/e nosotros (no caso dessa província). Longe disso, não há espaço pra todos, não há espaço pra ninguém.

 

O Fred tem razão, “em certo aspecto” .

(eu tô ficando velho).

 

 

 

 

 

Soneto

 

 

Um poeta, oh Fred, ainda existe,

Tamanha extensão de cobardia,

No refúgio torto de um  pastiche

Ou dessa rima fácil e fugidia?

 

Um trupicão, enfim, chame poema?

Tacanha expressão de letargia

Vil, sem sintaxe, sem morfema.

À margem do perfeito, que devia.

 

Alexandrino sem fé (de pé quebrado)

Pedalada de Robinho num arrepio.

Aborto de Bilac, um deformado:

 

Como um traço ou um fino fio.

Recebe o afeto que o emperra

E o cobre, farta, o aborto, a terra!

 

       



 Escrito por josé patrício neto às 16h11 [] [envie esta mensagem]


22 de Janeiro

   

Amor e restos humanos

 

 

abjeto e falível

o objeto

de desejo

 

                  definha

 

se define

impossível

 

                  caminha

 

 



 Escrito por josé patrício neto às 19h43 [] [envie esta mensagem]


21 de Janeiro



 Escrito por josé patrício neto às 19h45 [] [envie esta mensagem]



    Gostei do texto do Reuben, na Máquina: "juntar uma dúzia de malucos que estão andando por aí com mais ou menos o mesmo sentimento".Lembrei de um filme de Henry Fonda. Lembrei do quase aforismo do mais uma vez/sempre/citado/sempre Celso Borges: somos poucos/ cada vez menos/ somos loucos/ cada vez mais. Me convoca pr'essa dúzia, Reuben!

 

 

 

 Uma Dúzia

             p/ reuben

 

 

 

Somos mais que

a mera sombra

entre nós mesmos

tomara!

sejamos vesgos

 

Somos todos

da mesma

puta* poesia

burros demais

pra termos

medo

 

Somos psicopatas

comunitários

desprovidos

de culpa e pena

(à margem do

sistema penal)

 

pensamentos emoções

e idéias

 

fora da mediação

cerebral

 

      *bruta



 Escrito por josé patrício neto às 19h26 [] [envie esta mensagem]


19 de Janeiro

   Um espaço pra poesia marginal.

 

Natureza Morta

 

que a vida é combate

que a todos aba

te que o ver

de abacate

murchou

sifudeu

 

 



 Escrito por josé patrício neto às 16h11 [] [envie esta mensagem]



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